Hoje vi um programa na Sic Mulher (já não me lembro o nome do programa!) sobre a Matemática, nesse programa foi dito que as calculadoras não deveriam ser utilizadas pelos alunos... concordo, mas só até certo ponto...
Quem referiu tal barbárie ;) decerto se esqueceu que a primeira calculadora usada pelo ser humano foram os dedos das nossas mãos! quando os dedos se tornaram insuficientes foi inventado o ábaco! Os ábacos mais antigos que se conhecem datam do século VIII. Este instrumento era utilizado por comerciantes na China.

Muitos anos depois, Wilhelm Schickard construiu a primeira calculadora automática no século XVII , alguns anos mais tarde Blaise Pascal construía a primeira máquina de calcular.
Desde então todos a utilizamos no nosso dia-a-dia.

É óbvio que este instrumento deve ser utilizado apenas em casos específicos e nunca como forma de perguiça mental! Daí até proibir os alunos de utilizarem máquinas de calcular vai uma grande distância...

Hoje em dia não se usam máquinas de calcular até ao 7º ano, embora no 6º ano se ensinem aos alunos as funções e funcionalidades das máquinas de calcular.
Para mim o problemas não vêm das máquinas de calcular mas sim de alunos incapazes de memorizar seja o que fôr! Já para não falar da preguiça de raciocínio...
Tenho alunos no 8º ano que não são capazes de dizer imediatamente quanto é 4-0 , será que o problema vem da utilização da máquina de calcular ou da não utilização do cérebro?

15 comentários:

Desambientado disse...

A falta de aptidão para a matemática não é genética, penso tratar-se de algo cultural.
Descumpam-se os filhos quando tem negativa a matemática e a física, mas não a português ou inglês.
Não sei exactamente como, mas precisamos alterar mentalidades para que os portugueses passem a ter mais sucesso a matemática. Até lá vamos culpando os professores, os programas, as calculadoras, etc, etc.

charlie disse...

Tenho pensado muito neste fenómeno que é presentemente transversal a tudo e que tem a ver com as funcionalidades do nosso cérebro.
Podemos pensar que a tv e os jogos de pc e outros serão os únicos responsáveis pela imensa preguiça mental dos alunos. Mas na verdade a minha tese é um pouco diversa e insere-se num fenómeno que tem a ver a overdose de informação. De nada nos serve ler, - Sim ler! já quase que nos soa estranho.- se não disposermos dum tempo de ocio e reflexão para digerirmos o que metemos na cabeça e estruturarmos em hierarquias internas o rol de informações recentes.
O mesmo principio se pode aplicar a todos os passos de aquisição de conhecimento. Serve-nos de paradigma o exemplo do Newton que descobriu a lei da gravitação, não a estudar freneticamente mas sim a descansar enquanto a maçã lhe traçava o destino caindo na tola!
O que se deve concluir muito simplesmente? O seguinte Trequita. E lembro-me de repente do enorme Agostinho da Silva.
De nada serve encher os cérebros de dados e conhecimentos. O que é necessário é ensinar as pessoas a pensar. E aqui minha amiga, nesta matéria, este governo deu dois tiros nos pés. Retirou a importância à filosofia! A arte de pensar por exelência! Tudo o que fazemos na nossa existencia se deve ao pensamento e foi o que este marrecos retiraram!
O segundo tiro é o delírio das aulas de substituição.
Não sou bruxo mas dir-te ei só que vai ser mais um enorme fracasso. Quem já experimentou fazer uma viagem de carro de 9 horas bem sabe do que falo. Após horas e horas do mesmo, não há beleza natural que resista. Nem dentro dum carro e muito menos dentro duma sala de aulas. A saturação fará regra e só lamento as crianças serem cobaias de gente torpo e incompetente.
As crianças precisam disto:
1º Aulas curtas e bem intensas de 35 minutos. Este tempo é o tempo em que toda a gente segue uma matéria sem se cansar. Toda a gente. Adultos ou não.
2º Tempo de descanso de 10 minutos e depois o retomar com o mesmo ritmo.
Os tempos que eu refiro não são tirados do ar nem inventados. São os tempos que os psicologos após anos de estudos e testes, determinaram ser as indicadas para fazer as partes dos filmes: por mais interessante que um filme seja, ninguem resiste sem incómodo a um filme de 70 ou 90 minutos sem um intervalo para esticar as pernas e deixar que a história na tela assente no nosso espirito.
Enfim. Da forma que as coisas andam tenho a certeza que nenhum professor fez parte dos delírios do ministério da educação.

Zig disse...

Se perguntares aos mesmos alunos quais são os protagonistas do Morangos com Açúcar, disparam logo a dizer os nomes todos....

Trequita disse...

@desambientado

Não sei se com uma mudança de mentalidades isto lá vai!

Trequita disse...

@charlie
Concordo que é preciso saber pensar, mas não concordo com a total abolição da memorização, há regras básicas que é necessário memorizar... isto de fazer com que os alunos percebam os conteúdos e os esqueçam mal saem da sala não dá em nada!

Trequita disse...

@Zig

Olha que tenho as minhas dúvidas!
Acho que a maior parte não quer saber de nada a não ser passear, namorar e fazer asneiras...

Barão da Tróia II disse...

Nosso modelo actual de escolarização, propicía isso mesmo, a preguiça intelectual, o laxismo do cérebro. O facilistismo, que os pais adoram e os governos incentivam faz com que eu tema o futuro, não por mim mas pelas gerações de néscios que estamos a criar.Boa semana.

Trequita disse...

Há realmente muita polémica ao redor deste tema. Não sei qual será a melhor opção mas deve haver alguma forma de dar-mos a volta a este problema!

charlie disse...

Olá.
Estive a ler o que respondestes ao comentário que te fiz. Claro que é necessário memorizar. É importante memorizar pois só memorizando se constroem as referencias estáveis á volta das quais podemos establecer o raciocínio.
Como te escrevi:....reflexão para digerirmos o que metemos na cabeça e estruturarmos em hierarquias internas o rol de informações....

O que quero dizer é que é importante memorizar e com esses dados e outros novos e aleatórios desenvolver uma coisa maravilhosa que é o pensamento: em resumo, Usar o cérebro. :)

praia.claridade disse...

Olá a todos, que tema polémico; a calculadora, o facto de usar o cérebro...

Usar o quê??
Que palavra tão difícil!!!!
Cada dia que passa vou desconfiando cada vez mais que nem os próprios educadores o usam para pensar..mas sim na forma de se escapar de alguma coisa, trabalho, avaliação, qualquer coisa.
A única preocupação do pessoal é como conseguir enganar o próximo, obter melhores resultados mas com o mínimo esforço!!!
O problema é muito vasto, é transversal e é passa por uma questão de cultura, como já disseram e eu concordo plenamente!
Amigos, quando se tem professores que estão atulhados em papéis em vez de prepararem materais para as suas aulas, ocupados até as 8 e 9 da noite com pseudo reuniões onde se discute o sexo dos anjos em vez de planificar, cruzar informação e trocar estratégias para trabalhar com os miudos, quando se tem de ficar a dar aulas de substituição em vez de produzir materiais, fazer pesquisas...até mesmo ter formação...enfim!!!! Enquanto isto estiver assim, nada vai melhorar:(

Trequita disse...

@praia.claridade

Olá amiguita!
Antes de mais devo dizer que hoje estavas inspirada, gostei muito do teu comentário, sincero e sem pretensionismos.

Tudo o que escreves tem a sua razão, embora este ano eu esteja a ter uma experiência um pouco diferente...
Estou numa escola piloto que é o mesmo que dizer que sou uma cobaia :) estou numa equipa de professores de ensino cooperativo (é difícil explicar em poucas palavras mas digamos que a palavra cooperação diz quase tudo) faço parte de uma equipa multidisciplinar e tenho reunião de grupo todas as semanas, nessas equipas trabalhamos em conjunto tudo aquilo de que te queixas... temos que passar muito tempo na escola mas até agora tem sido positivo...
Somos uma espécie de laboratório, se funcionar é aplicado aí no continente... prepara-te!
Bjokitas

charlie disse...

Há dias li que achavas interessante a ideia das pessoas enviarem poesia umas às outras. Já conheces este site que é dum estúdio de dizer poesia? http://www.estudioraposa.com/

Visitei e achei muito interessante. :)
Bom fim de semana.

praia.claridade disse...

lol
ainda vim aki ver o teu comentário...
1º sempre fui assim como disseste...inspirada-....ah não enganei-me: "sincero e sem pretensionismos." era isto k keria dizer lolol
e depois eu n me importava nada de passar o tempo k passo na escola, ou mais...dede que fosse tempo útil...e n a discutir o sexo dos anjos...mas passando à frente... o ano passado tinha reuniões semanais or causa dos PIEF'S e nao me importava nada...porque eram rentáveis e discutiasse estratégias, partilhava-se saberes.

Neste momento sint-me a "estupidificar" (a culpa tb é minha) mas só tenho forças para viver o dia a dia...n mais!
ahhh, és linda!
bjo...espero e sonho por dias melhores no ensino...e apesar de não fazer greve, luto por isso!(humildemente)

Trequita disse...

@charlie

:)
Sabes que passei o dia inteiro a corrigir fichas de avaliação cheias de erros... agora quando li o teu último comentário em vêz de ler "um estúdio" li "um estúpido a dizer poesia"
Isto da falta de neurónios, pelos vistos pega-se! :)
Estou a brincar...
Não conheço o site mas já lá vou dar uma espreitadela...

SaltaPocinhas disse...

eu ensino a funcionar com a calculadora no 3.º ano de escolaridade!

sm

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